sexta-feira, 18 de março de 2016

São Paulo na época de Antonio Agù.

A cidade de São Paulo na época de Antonio Agù

Na segunda metade do século XIX

     A segunda metade do século XIX é para São Paulo uma época de modificações, através das quais definiu a cidade atual. Se até 1870 tinha um aspecto acadêmica, girando em torno da Faculdade de Direito, a partir daquela data a capital paulista as barreiras que a cingiam à colina histórica, pôs-se a expandir de ma­neira crescente e imprevisível, viu alterar-se seu ritmo de vida, passou a conhecer funções novas, modernizou-se, caminho rápido e seguro para o espetacular crescimento registrado no século atual.
     Dentre os fatores de importância que podem explicar a expansâo da cidade, três se destacam: a expansão cafeeira, a viação férrea e a imigração européia. Os dois primeiros, café e via férrea, acham-se relacio­nados dentro da história econômica de São Paulo que dificilmente separam-se.
     A inauguração da primeira ferrovia paulista ocorreu em 1868, a antiga "Inglesa", ligando a capital ao Porto de Santos.  A partir de 1872, quando os trilhos atingiram as novas áreas cafeeiras da Província (que se haviam deslocado do vale do Paraíba para a região de Campinas), foi que a cidade de São Paulo começou a sentir as influências desse empreendimento. Ao findar o século, já contava com uma população de 240.000 habitantes, quando trinta anos antes, em 1872, contava apenas com 31.000, sendo a décima primeira lugar entre as cidades bra­sileiras.
     Também ligada à expansão do café, a imigração européia, especialmente italiana, que se intensificou a partir de 1887, veio dar novas forças à economia paulista e, contribuir para acentuar a feição cosmopolita que já vinha caracterizando a ci­dade de São Paulo desde meados do século. Logo, os povos estrangeiros se sobressaem nas diferentes atividades: comércio, indústria, em funções técnicas variadas, artes e ensino.
     Na indústria, foi grande a influência desses novos elementos da população urbana, cuja presença se fez sentir na última década do século, quando teve lugar o primeiro surto industrial.  Em 1901, São Paulo possuía 8.000 operários, sendo que 5.000 eram estrangei­ros, em grande parte italianos.
     Após o período de 1870-80 ocorre a "segunda fundação de São Paulo". 01
     Do antigo meio acadêmico, surge a "me­trópole do café", assim definida por Ernani da Silva Bruno, ou a "capital dos fazendeiros", como preferiu Pierre Monbeig. 02
     Da pacata cidade de outrora, com casas de taipa de pilão, muitas vezes descrita por viajantes, surge um poderio econômico e comercial totalmente diferenciada do restante do país.
     A riqueza vinda do interior da província, acrescida do cultivo cafeeiro e somada ao trabalho imigrante e as ferrovias, foram os fatores para esse desenvolvimento econômico.
     Por meio dela as riquezas embarcavam para as exportações como também as importações. Esse reduto de “Abastados Fazendeiros" ou "Meca do Café" chegou ao alvorecer do século XX com a estupenda população de aproximadamente 240 mil habitantes, ocupando o invejado segundo lugar entre as cidades do Brasil.

01 - E. SIMÕES DE PAULA, Contribuição monográfica para o estudo da segunda fundação de São Paulo, São Paulo, 936.
02 - MONBEIG, PIERRE, Aspectos geográficos do crescimento de São Paulo, em "Boletim Paulista de Geografia", n.° 16, São Paulo, 1954.


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