As pinturas parietais do Chalé Briccola
José Luiz Alves de Oliveira

Figura
01 – chalé Briccola no início do século XX
Introdução
A pintura parietal é uma das formas mais
antigas de arte decorativa de interiores residenciais públicos e religiosas.
Foi utilizada principalmente em casarões e palacetes de famílias
abastadas. Algumas eram finamente
executadas outras com barrados tanto nas partes superiores e inferiores das
paredes de dormitórios, salas de jantar, corredores, bibliotecas e quartos, aparecendo
algumas vezes nas paredes exteriores.
Figura
02 – Pintura parietal no corredor do segundo pavimento do chalé Briccola
Esse tipo de arte decorativa foi muito utilizado
no século XIX e início do século XX, caindo posteriormente em desuso. O que sabemos a respeito dessa técnica
sobreviveu com raros artesões que as utilizam e com outras variantes, e claro
com os raros exemplares existentes, muitos desconhecidos pelas populações
atuais. Isto acontece por fatores como: a especulação imobiliária, que demole
antigos palacetes, reforma de interiores e a conseqüente descaracterização,
novas utilizações de imóveis com uma aparência mais moderna e a fácil
manutenção.
O seu desconhecimento acaba impedindo que
seja considerado patrimônio cultural e representativo de um modo de vida e
especificamente de uma época que usava esse tipo de arte para expressar o seu
poderio econômico.
Temos o seu conhecimento através da
conservação e restauro dos poucos exemplares que sobreviveram, sejam
residências, igrejas, teatros e outros.
Não sendo de conhecimento da população, os
raros exemplares estão desaparecendo aos poucos de forma imperceptível e
silenciosa, oposto a decoração externa que por estar evidente a sua ausência é
logo percebida.

Fig.
03 – Pintura parietal em um dos cômodos do segundo pavimento do chalé.
Há alguns anos atrás quando já havia iniciado
a pesquisa sobre Osasco, me deparei com um jornal de 1919 “O Districto” e uma
foto nele publicada, a qual me chamou a atenção, era uma foto do Chalé Briccola,
que construíra a casa por volta de 1897, para servir como casa de campo.
Fig.
04 – foto publicada no jornal “O Districto”, 1919.
A foto de 1919 mostra as personalidades da
época, durante o almoço comemorativo do lançamento da pedra fundamental da
Igreja Matriz de Santo Antonio. Atrás do grupo olhando para o canto superior
direito é possível ver um desenho decorativo inclusive o forro também parece
ser pintado. Logo pensei, só pode ser
uma pintura e certamente o interior é decorado.
Minhas suspeitas se confirmaram com a última
reforma quando fragmentos das pinturas foram restaurados em alguns cômodos.
Alguns anos a mais se passaram para me
despertar novo interesse... Navegando
pela internet localizei uma apresentação sobre o restauro digital da Casa de
dona Yayá em São Paulo capital. Ao ver
esse trabalho me lembrei do chalé e sua pintura decorativa. Fui ao chalé e tirei várias fotos para
estudar o padrão ertístico.
Resultados
Como resultado desse levantamento é possível
recriar duas salas com as respectivas pinturas, infelizmente não existem
registros, fotos e datas de quando as pinturas foram executadas ou se seguem
algum modelo ou padrão.
Figura
05 – Pintura parietal em um dos cômodos do segundo pavimento do chalé.
Conclusões
Infelizmente o chalé Briccola é o único
exemplar existente que possui essa pintura decorativa em sua parte interna na
cidade de Osasco. Sendo possível que mais quatro possuíssem: a casa de Antonio
Agú, família Ferré, Carpentieri e a Vila Sascha, mas são conjecturas.
Essa pesquisa serviu como meio de resgate
de uma arte praticamente esquecida e conhecer algumas informações sobre Osasco.
Espero que sirva de incentivo para outros
levantamentos e talvez mobilize o poder público para um restauro mais
significativo, para que os moradores de Osasco possam conhecer um pouco mais
dessa arte esquecida e do jeito de morar de outrora.
Referências
Pinheiro,
Eny Feijó. Resgate de uma arte perdida no tempo - As pinturas parietais de uma
residência santista do início do século XX e o seu projeto de restauro.
Trabalho de conclusão de Curso de pós-graduação em Teoria e Prática da
Preservação e Restauro do Patrimônio Arquitetônico e Urbanístico. UNISANTOS,
203, 240 pag.
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