sexta-feira, 11 de março de 2011

Osasco

BREVE HISTÓRIA DE OSASCO



ORIGEM


     Antônio Giuseppe Agú nasceu em Osasco, Itália, no dia 25.10.1845. Filho de Antônio Giuseppe de Pietro Agú e Domenica Vianco. Casou-se com Benvenutta Chiaretta, tendo dessa união uma única filha, Primitiva Dominica Michela Agú. Informações do histórico da Cúria Metropolitana de Osasco, Itália, informam que Agú em 1872, emigrou para o Brasil, e trabalhou na construção do Engenho Central de Capivari, cidade do interior da Província de São Paulo.
     Residindo na capital, compra imóveis nas ruas Lins de Vasconcelos e da estação, atual rua José Paulino, e de João Pinto Ferreira e esposa, em 1887, uma parte do sítio Ilha de São João. A propriedade existente no km 16 da estrada de ferro Sorocabana possuía casas, ranchos e forno de olaria, tendo os limites: frente para a linha férrea, vertente Bagreira, córrego Bussocaba e rio Tietê.
     Meses depois, Agú adquire o restante do sítio, uma área de 400 alqueires, incluindo trecho de 50 alqueires contendo: vinhedo, diversas casas, árvores frutíferas, casa de moradia, ranchos, engenho movido a água e casa de fabricação de farinha. Limites: linha férrea, córrego Bussocaba, valo divisor com Dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho, córrego João Alves e a estrada de ferro.
     Em 1889, sua filha Primitiva Maria, casada com seu primo Antônio Vianco, dá à luz a menina Josephina Vianco, alguns dias depois a mãe vem a morrer vítima de febre puerperal.
     A propriedade, "FAZENDA OSASCO" já dava os primeiros sinais de desenvolvimento; na área reservada para si próprio, Agú constrói uma casa de moradia e outras para braçais, planta árvores frutíferas e videiras. Próxima a esta, ergue um estábulo (1892), casa de máquina da fábrica de papel, estação Osasco (1894), a fábrica de tecidos de Henrique Dell’Acqua e o curtume (1900), para a olaria constrói casas operárias, fornos e ranchos.
     Em 1894 a Superintendência de tráfego da Cia. Sorocabana aponta a necessidade de se construir estações intermediárias entre as existentes. No mês de agosto de 1895 a Superintendência declara aberta uma estação de trens no km 16; em setembro o relatório apresenta os serviços realizados: desvios de Porto Martins a São Manoel de 100m, e outro no km 16 na estação Osasco para os trens de carga. Sendo, assim, em 1895 a estação foi oficializada, porém já existia desde 1894, segundo descrição da escritura de venda de Agú e esposa, à Comoratti Ciriaco: (...) "um terreno nesta comarca na Estação de Osasco, Estrada de Ferro Sorocabana" (...)

 
A VILA

     Para drenar as terras próximas a estação constantemente alagadas, são plantados milhares de eucaliptos. Os trechos mais secos são loteados a imigrantes, favorecendo a ocupação urbana da região central, embora ela tenha o seu início próxima a estrada São Paulo-Itú. Esse loteamento daria origem a Vila Osasco e ao traçado das atuais ruas Primitiva Vianco, República do Líbano, Antônio Agú, Batista de Azevedo, João Batista e da Estação.
     As primeiras residências da Vila eram modestas e pobres arquitetonicamente: a de Mariana Fabri e Giuseppe Barbieri (antiga rua Ferre, atual Republica do Líbano), Brícola e Cia. (Rua Henrique Dell"Acqua, atual Antônio Agú), funcionais e simplificadas estruturalmente (vila operária da olaria, próxima ao córrego Bussocaba, e da fábrica de papel, rua da carteira, atual Narciso Sturlini), elegantes e refinadas, de Giovani Bricola (chalé bricola na estrada de rodagem São Paulo a Itú, atual Av. dos Autonomistas; "casa amarela", rua Primitiva Vianco), Alexandrine de Bogdanoff ("Vila Sascha" na rua Primitiva Vianco). Algumas já existiam quando da venda dos lotes.
     Podemos caracterizar a vila como um local essencialmente operário, e certamente a maioria de seus habitantes, estariam integrados nas atividades econômicas desenvolvidas por Agú; a fábrica de papelão, curtume, cocheira, olaria e a fábrica de tecidos de Henrique Dell’Acqua, esses imigrantes que para a Vila afluíram entre 1894 e 1907, adquirindo pequenos lotes e cultivando a terra dariam, origem ao processo histórico para a formação de Osasco...
     Ao introduzir a mão de obra em seus empreendimentos, Agú favoreceu não só o loteamento de áreas de sua propriedade. Foi algo bem mais do que um simples arranjo físico do homem em um complexo urbano, pois o mesmo inicia-se com a transferência do homem do campo para a Vila, e não um conjunto de pessoas que para cá viessem com o intuito de garantir a posse da terra e conseqüentemente a criação de uma grande família italiana. Eles vieram realmente com a vontade de povoar e trabalhar pela produtividade da terra. Esses primeiros habitantes trouxeram costumes e manifestações culturais hoje esquecidas e por não terem sido registradas, torna-se impossível saber de que maneira foi o seu modo de vida e adaptação na nova pátria.
     Quando a industrialização começou, a Vila já caminhava para uma realidade urbana e social, que desempenhou destacado papel na concentração e fixação urbana, geradora da concentração de capital, ocasionando transformações profundas entre a transição de uma realidade agrícola que embora não tenha exercido destaque e influência na organização na Vila, mas predominou de forma bastante modesta, para uma sociedade industrial que dava os primeiros passos.
     Essas atividades, acabaram exercendo uma influência poderosa e importante para o crescimento da Vila, por sustentar-se com a mão de obra imigrante, que deslocava-se de São Paulo para a região, em busca de meios de vida, propriedades e da proximidade de patrícios oriundos de cidades vizinhas entre si na península itálica. A Vila Osasco era basicamente italiana...
     Esse processo industrializante surge com as transformações que Agú realiza na antiga olaria, acrescentando-lhe novas construções, aumentando a produção cerâmica e a arrendando ao barão Evaristhe Sensaud de Lavaud em 1898, que por sua vez a transformaria em um dos mais sólidos empreendimentos do ramo cerâmico.
     Hábil construtor, Agú participa das obras de construção do hospital Humberto Primo, e certamente todas as edificações da Vila estiveram sob a sua direção. Até a sua morte em 25.01.1909, Agú procurou fazer da Vila Osasco um local progressista e habitável, sendo mais do que justas as homenagens que lhe são prestadas.

(do livro Tempo, História e Nanquim - Primeiro volume - Autor José Luiz de Oliveira - junho de 1993)

Um comentário:

Wilson Schmeiske disse...


A biografia de Osasco é curiosa principalmente pra quem precisa de conhecer mais este município.