sexta-feira, 24 de junho de 2016

A "Grande Olaria Francesa de Sensaud de Lavaud"

A aquarela feita por mim, mostra a olaria por volta de 1900, faz parte de um conjunto de 58 trabalhos chamado Passeando por Osasco e seus arredores inicio do século.
Em 1912 se transformaria na Cia. Cerâmica Industrial de Osasco.
As edificações  próximas a linha férrea seriam demolidas em 1962, o restante em 2014.
Dimensões 78x30 cms.
José Luiz Alves de Oliveira é Historiador.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

As pinturas parietais do Chalé Briccola


           
As pinturas parietais do Chalé Briccola
José Luiz Alves de Oliveira

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Figura 01 – chalé Briccola no início do século XX


Introdução
  A pintura parietal é uma das formas mais antigas de arte decorativa de interiores residenciais públicos e religiosas. Foi utilizada principalmente em casarões e palacetes de famílias abastadas.  Algumas eram finamente executadas outras com barrados tanto nas partes superiores e inferiores das paredes de dormitórios, salas de jantar, corredores, bibliotecas e quartos, aparecendo algumas vezes nas paredes exteriores.

Figura 02 – Pintura parietal no corredor do segundo pavimento do chalé Briccola



  Esse tipo de arte decorativa foi muito utilizado no século XIX e início do século XX, caindo posteriormente em desuso.   O que sabemos a respeito dessa técnica sobreviveu com raros artesões que as utilizam e com outras variantes, e claro com os raros exemplares existentes, muitos desconhecidos pelas populações atuais. Isto acontece por fatores como: a especulação imobiliária, que demole antigos palacetes, reforma de interiores e a conseqüente descaracterização, novas utilizações de imóveis com uma aparência mais moderna e a fácil manutenção.
  O seu desconhecimento acaba impedindo que seja considerado patrimônio cultural e representativo de um modo de vida e especificamente de uma época que usava esse tipo de arte para expressar o seu poderio econômico.
   Temos o seu conhecimento através da conservação e restauro dos poucos exemplares que sobreviveram, sejam residências, igrejas, teatros e outros.
  Não sendo de conhecimento da população, os raros exemplares estão desaparecendo aos poucos de forma imperceptível e silenciosa, oposto a decoração externa que por estar evidente a sua ausência é logo percebida.

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Fig. 03 – Pintura parietal em um dos cômodos do segundo pavimento do chalé.


  Há alguns anos atrás quando já havia iniciado a pesquisa sobre Osasco, me deparei com um jornal de 1919 “O Districto” e uma foto nele publicada, a qual me chamou a atenção, era uma foto do Chalé Briccola, que construíra a casa por volta de 1897, para servir como casa de campo.


Fig. 04 – foto publicada no jornal “O Districto”, 1919.


  A foto de 1919 mostra as personalidades da época, durante o almoço comemorativo do lançamento da pedra fundamental da Igreja Matriz de Santo Antonio. Atrás do grupo olhando para o canto superior direito é possível ver um desenho decorativo inclusive o forro também parece ser pintado.  Logo pensei, só pode ser uma pintura e certamente o interior é decorado.
   Minhas suspeitas se confirmaram com a última reforma quando fragmentos das pinturas foram restaurados em alguns cômodos.
      Alguns anos a mais se passaram para me despertar novo interesse...  Navegando pela internet localizei uma apresentação sobre o restauro digital da Casa de dona Yayá em São Paulo capital.  Ao ver esse trabalho me lembrei do chalé e sua pintura decorativa.  Fui ao chalé e tirei várias fotos para estudar o padrão ertístico.


Resultados
  Como resultado desse levantamento é possível recriar duas salas com as respectivas pinturas, infelizmente não existem registros, fotos e datas de quando as pinturas foram executadas ou se seguem algum modelo ou padrão.

Figura 05 – Pintura parietal em um dos cômodos do segundo pavimento do chalé.


 
Conclusões
  Infelizmente o chalé Briccola é o único exemplar existente que possui essa pintura decorativa em sua parte interna na cidade de Osasco. Sendo possível que mais quatro possuíssem: a casa de Antonio Agú, família Ferré, Carpentieri e a Vila Sascha, mas são conjecturas.    
     Essa pesquisa serviu como meio de resgate de uma arte praticamente esquecida e conhecer algumas informações sobre Osasco.
     Espero que sirva de incentivo para outros levantamentos e talvez mobilize o poder público para um restauro mais significativo, para que os moradores de Osasco possam conhecer um pouco mais dessa arte esquecida e do jeito de morar de outrora.

Referências
Pinheiro, Eny Feijó. Resgate de uma arte perdida no tempo - As pinturas parietais de uma residência santista do início do século XX e o seu projeto de restauro. Trabalho de conclusão de Curso de pós-graduação em Teoria e Prática da Preservação e Restauro do Patrimônio Arquitetônico e Urbanístico. UNISANTOS, 203, 240 pag.



sexta-feira, 18 de março de 2016

Novos bairros

 Novos Bairros

     São Paulo desenvolveu-se com rapidez extraordinária, mais que as cidades existentes no Brasil. Enquanto estava enclausurada na colina central, não co­nhecia as diferenças funcionais de um ponto a outro da cidade, a não ser as chácaras periféricas.
     As moradias concentravam-se no próprio triângulo, ao lado de casas de comerciais e as pe­quenas oficinas. A partir da década de 1880-90, iniciou-se a diversificação de funções e o aparecimento, ao lado do velho centro, de bairros operários e residenciais finos.
     Os primeiros bair­ros operários localizaram-se nas terras baixas vizinhas ao Tamanduateí, nas proximidades das estações ferroviárias e ao longo das ferro­vias. 
     No tempo do censo do Marechal Müller, tantas vezes citado (1836), o Brás era um aglomerado de aproximadamente 700 pessoas, vivendo em torno da capela do Senhor Bom Jesus, no caminho para o Rio de Janeiro. Em 1872 com 2.300 moradores.
     Com a inauguração da estrada de ferro, o seu crescimento passa a ser constante.  
     Lotearam-se as Chácaras do Ferrão e da Figueira. O recenseamento de 1886 aponta 6.000 habi­tantes.   O Brás tornar-se com o tempo o distrito mais populoso da Capital Paulista.
     Os bairro considerados “finos” surgiram para além do Anhangabaú, no rumo geral de Oeste, onde foram abertas largas ruas e construíram-se ele­gantes palacetes, sobretudo nos  Campos Elíseos, preferido pela aristocracia cafeeira.
     Com o arruamento finalizado entre 1880-90, ali se instalaram ricos fazendeiros, construindo belíssimas e luxuosas mansões, no meio de grandes jardins luxuriantes.
     Desse passado imponente muito pouco foi preservado, e os que resistiram ao tempo não  testemunham a grandeza passada.
     Somente nos primeiros anos do século passado foi que esse bairro perdeu sua privilegiada posição, deixando de ser o mais elegante da cidade. Substituiu-o o bairro de Higienópolis, instalado em continuação à Vila Buarque e a Santa Cecília, e carac­terizado por suas luxuosas construções de tipo francês ou inglês, cen­tro da aristocracia paulistana até 1930.
     Outros bairros residenciais também apareceram nesse fim de século, seguindo quase sempre as vias de comunicação que colocavam São Paulo em contacto com o litoral e o interior.   
      Em direção de Pinheiros: o bairro da Consolação. No rumo do Sul, na direção de Santo Amaro: a Liberdade e a Vila Mariana e, no caminho do Ipiranga, Cambuci e Vila Deodoro.
     A década de 1870-80 assinalou as transformações que acabaram com o aspecto colonial, que manteve durante mais de trezentos anos. Já foi referido que esse pe­ríodo, que coincide em parte com a presidência João Teodoro, como a "segunda fundação de São Paulo", para lembrar a expres­são de um dos estudiosos de sua história. "Só em 1870, observa Eugênio Egas começou a Capital a progredir de modo apreciável. Instalam-se fábricas, fazem-se prédios bons, abrem-se novas ruas, melhoram-se edifícios públicos, em geral os logradouros da Cidade são cuidados; criam-se novos pontos de repouso e embelezamento.
    A “ febre” de progresso rápido, constante e seguro apodera-se dos paulis­tas. Eles querem que a sua capital seja uma cidade procurada por todos, nacionais e estrangeiros, que se torne um centro, um grande empório de comércio, indústria e arte". 01
01 – EGAS, EUGÊNIO, Os municípios paulistas. I, pág. 469. São Paulo, 1923.






     Com o presidente João Teodoro, segundo Paulo Cursino de Moura, "o primeiro que realmente se interessou pelos problemas de urbanismo" 02, ocorreu a iniciativa e a realização de melhoramentos públicos, que deram à cidade uma feição mais moderna e de acordo com os grandes progres­sos que se registravam na Província. Teve início as obras de saneamento da várzea de Carmo (anualmente inundadas pelas águas do Tamanduateí), foram abertas novas ruas, para a ligação entre os bairros. Ruas foram alinhadas, arborizadas e calça­das iluminadas.   
     Em 1872 a cidade conta com um serviço de bondes a tração animal. A primeira linha a liga o centro e a Estação da Luz. Em 1877 inau­gura-se a linha do Brás. Novas linhas foram criadas, unin­do o centro à: Moóca, Campos Elíseos, Santa Cecília, Consola­cão e Liberdade. A deste bairro fazia ponto final na rua S. Joaquim, onde se localizava a estação da linha férrea que, a partir de 1883, pôs a cidade em comunicação com Santo Amaro.
     Aos poucos, novas obras, pontes, aterros, serviço de águas e esgotos, iluminação a gás e depois elétrica, o Viaduto do Chá — contribuíram para tornar São Paulo uma cidade moderna.
     O Via­duto do Chá, planejado desde 1879, foi inaugurado em 1892, construído sobre o vale do Anhangabaú, foi o feito mais importante para a época. Realização de Jules Martin, sua estru­tura metálica veio da Alemanha, e durante mais de quarenta anos (o atual viaduto foi construído em 1936) foi testemunha muda do pro­gresso de São Paulo.


02 - MOURA, PAULO CURSINO DE, São Paulo de outrora, pág. 236. Ed. Melhora­mentos, São Paulo 1932.

UALE, op. cit., pág. 141.

A metrópole do café.

 A Metrópole do café

     No início da segunda metade do século XIX, a cidade de São Paulo ocupava uma área os tempos colo­niais. Assim, até 1870 a colina histórica, entre o Tamanduateí e o Anhangabaú era o centro da cidade.
     A ampliação dessa área ocorre com o loteamento das chácaras encontradas aos arredores, claro que sem a elaboração de um planejamento urbano.  É ainda complicado saber como a cidade se expandiu além do Anhangabaú.
     Na planta de 1810 de Rufino José Felizardo e Costa, de 1810, nota-se um núcleo à margem esquerda do córrego, em direção do hoje bairro de Santa Ifigênia.
     Entre 1870-80 a Chácara do Chá já estava arruada até as proximidades do atual Largo do Arouche; é o que se entende pela planta de Jules Martin, de 1877, na que aparece o bairro atual de Santa Ifigênia, com ruas ainda existentes com o mesmo nome até hoje: Aurora, Vitória, Triunfo (alusivas á findar da guerra do Paraguai), outras tiveram os nomes alterados. Viajantes a descrevem como a "Cidade Nova".
     Várias eram as chácaras loteadas a partir de 1880 para a ampliação da área urbana: em direção NORTE, as do Bom Retiro, do Miguel Carlos e do Campo Redondo; OESTE, as do Marechal Arouche, do Senador Queirós, de Martinho Prado e a do Bexiga; SUL, as do Barão de Limeira, de Dona Ana Machado, do Fagundes, do Cônego Fidelis, da Glória, do Menezes e a do Lavapés; LESTE, as do Ferrão e da Figueira.  Além desses dessas citadas e mais afastadas, havia extensos sítios: Tapa-nhoim, Caaguaçu, Casa Verde, Ipiranga, Freguesia do Ó e, mais afastado: Freguesia da Penha.
     Sem planejamento, São Paulo foi aos poucos crescen­do de forma desordenada, caótica, surgindo novos bairros, integrando-se ao mesmo tempo a nova realidade urbana.
     Podemos citar: Chácara das Palmeiras, que ainda em 1872 tinha casa-grande, senza­las, armazéns, cocheiras, plantações de chá e extensos, hoje o bairro de Santa Cecília e as atuais ruas Martim Francisco, Imaculada Conceição, Barão de Tatuí, São Vicente de Paulo, Alameda Barros e parte da Avenida Angélica, referência a antiga proprietária da chácara, Dona Angélica de Souza Queiroz Barros.
     A antiga Chácara do Campo Redondo passou a ser o bairro dos Campos Elísios.
      A chácara do Marechal Arouche, que projetava a partir a partir da Rua Alegre (atual Sebastião Pereira) até o Beco do Mata Fome (atual rua Araújo), loteada em 1894,  atual vila buarque. Chácara de Luiz Antônio de Souza Barros tam­bém loteada, nela são abertas as ruas de S. João, o Largo do Paissandu, a Rua do Seminário e a Praça do Correio.
     A do Brigadeiro Tobias correspondia ao trecho onde hoje encontramos o Largo de Santa Ifigênia, a Avenida Cásper Libero e a rua que conserva o nome do seu antigo proprietário.
     A Chácara do Carvalho forma partes dos bairros Barra funda e Bom Retiro. A do Conselheiro Antônio Prado compreende as atuais Praças Marechal Deodoro, Alameda Eduardo Prado e Ruas Brigadeiro Galvão, Vitorino Carmilo e Barra Funda.
     Na chácara de Dona Ana Machado abri­ram-se as ruas Sinimbu, Santa Luzia, Tomás de Lima e Conselheiro Furtado. Das chácaras do Fagundes e do Cônego Fidelis o bairro da Liberdade.

     Na antiga chácara do Barão de Limeira abriu-se a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, a fim de encurtar o ca­minho para Santo Amaro. Os campos do Bexiga transformaram-se no bairro  da Bela Vista.  Nas chácaras Paim e Pamplona e o sítio do Caaguaçu a Avenida Paulista. 

São Paulo na época de Antonio Agù.

A cidade de São Paulo na época de Antonio Agù

Na segunda metade do século XIX

     A segunda metade do século XIX é para São Paulo uma época de modificações, através das quais definiu a cidade atual. Se até 1870 tinha um aspecto acadêmica, girando em torno da Faculdade de Direito, a partir daquela data a capital paulista as barreiras que a cingiam à colina histórica, pôs-se a expandir de ma­neira crescente e imprevisível, viu alterar-se seu ritmo de vida, passou a conhecer funções novas, modernizou-se, caminho rápido e seguro para o espetacular crescimento registrado no século atual.
     Dentre os fatores de importância que podem explicar a expansâo da cidade, três se destacam: a expansão cafeeira, a viação férrea e a imigração européia. Os dois primeiros, café e via férrea, acham-se relacio­nados dentro da história econômica de São Paulo que dificilmente separam-se.
     A inauguração da primeira ferrovia paulista ocorreu em 1868, a antiga "Inglesa", ligando a capital ao Porto de Santos.  A partir de 1872, quando os trilhos atingiram as novas áreas cafeeiras da Província (que se haviam deslocado do vale do Paraíba para a região de Campinas), foi que a cidade de São Paulo começou a sentir as influências desse empreendimento. Ao findar o século, já contava com uma população de 240.000 habitantes, quando trinta anos antes, em 1872, contava apenas com 31.000, sendo a décima primeira lugar entre as cidades bra­sileiras.
     Também ligada à expansão do café, a imigração européia, especialmente italiana, que se intensificou a partir de 1887, veio dar novas forças à economia paulista e, contribuir para acentuar a feição cosmopolita que já vinha caracterizando a ci­dade de São Paulo desde meados do século. Logo, os povos estrangeiros se sobressaem nas diferentes atividades: comércio, indústria, em funções técnicas variadas, artes e ensino.
     Na indústria, foi grande a influência desses novos elementos da população urbana, cuja presença se fez sentir na última década do século, quando teve lugar o primeiro surto industrial.  Em 1901, São Paulo possuía 8.000 operários, sendo que 5.000 eram estrangei­ros, em grande parte italianos.
     Após o período de 1870-80 ocorre a "segunda fundação de São Paulo". 01
     Do antigo meio acadêmico, surge a "me­trópole do café", assim definida por Ernani da Silva Bruno, ou a "capital dos fazendeiros", como preferiu Pierre Monbeig. 02
     Da pacata cidade de outrora, com casas de taipa de pilão, muitas vezes descrita por viajantes, surge um poderio econômico e comercial totalmente diferenciada do restante do país.
     A riqueza vinda do interior da província, acrescida do cultivo cafeeiro e somada ao trabalho imigrante e as ferrovias, foram os fatores para esse desenvolvimento econômico.
     Por meio dela as riquezas embarcavam para as exportações como também as importações. Esse reduto de “Abastados Fazendeiros" ou "Meca do Café" chegou ao alvorecer do século XX com a estupenda população de aproximadamente 240 mil habitantes, ocupando o invejado segundo lugar entre as cidades do Brasil.

01 - E. SIMÕES DE PAULA, Contribuição monográfica para o estudo da segunda fundação de São Paulo, São Paulo, 936.
02 - MONBEIG, PIERRE, Aspectos geográficos do crescimento de São Paulo, em "Boletim Paulista de Geografia", n.° 16, São Paulo, 1954.


terça-feira, 15 de março de 2016

Bem-vindo a osasco-contandohistória-osasco
A Cia. Cerâmica Industtrial de Osasco.

A Empresa Cerâmica surgiu em 1912 e se manteve ativa até os anos 90 quando encerrou as atividades no Munícípio de Osasco.  Em destaque a fachada da empresa na década de 30.
Nota:a tarja "Osasco é História" ficara impressa nas fotos que serão adicionadas aqui, visto que muitos copiam as mesmas mas não dão o crédito da origem...
Sempre as quartas e sextas feira imagens e textos serão adicionados

terça-feira, 17 de novembro de 2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015


A Igreja Matriz de Santo Antônio em Osasco – São Paulo.


“Era desejo de Antonio Agù que a povoação existente em torno de suas terras possuísse uma igreja edificada para o prolonga mento do caráter religioso dos habitantes da Villa. Em mapa da “Villa Osasco”, desenhado por Júlio Saltini em 1899, é estabelecido que o local propício à construção, ficaria no prolongamento da Rua Henrique Dell’ Acqua (atual Rua Antonio Agù). Agù morreu em 1909, não chegando a ver concretizado o seu desejo, e a área destinada à igreja não chegou a ser doada, embora fosse mencionada em seu testamento.
Após a elevação da Villa Osasco para Distrito em 31/12/1918, os habitantes locais, desejosos de darem continuidade ao progresso do distrito, se reorganizam com a denominação de “LIGA DOS INTERESSES LOCAES”, que vem a substituir a “COMISSÃO PROTETORA DE MOLHORAMENTOS DA VILLA”.  Em reunião na casa de Jacob Fornazzari, por influência de Júlio de Andrade e Silva “DELEGADO DISTRITAL” e tesoureiro da “LIGA”, é decidido o envio de um telegrama à Itália, solicitando à herdeira de Agù, Giusephina Vianco Enrico, a doação de um terreno, o mesmo previsto em 1899, para a construção de um templo religioso. 
Entre os assuntos tratados na reunião, ficam estabelecidas várias comissões responsáveis pelos serviços religiosos e as atribuições dos membros escolhidos, sendo concedido por unanimidade o título de “PRESIDENTES BENEMÉRITOS E BENFEITORES” aos doadores do terreno.  Por telegrama expedido da Itália é concedido à Mitra Archidiocesana do Estado, o terreno requerido.
Quando foi solicitada a doação do terreno, a “LIGA” já possuía um projeto arquitetônico para igreja, de autoria de Ernesto Behreudt, estando aprovada pelo arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, que escolhe Antonio de Pádua, para ser o padroeiro da nova paróquia, homenageando desta forma Antonio Agù.
 Após o recebimento do telegrama autorizando a doação, os senhores Nathanael Leopoldo e Silva, Arthur de Vasconcellos e Júlio de Andrade e Silva, em visita ao arcebispo, trocam impressões sobre a visita que o mesmo deverá fazer ao recén criado “DISTRITO DE OSASCO”.
Com a chegada dos “Benfeitores”, Giusephina e seu marido Cesare Enrico, as comissões promotoras do evento decidem realizar no dia 15 de maio, as comemorações para o “LANÇAMENTO DA PRIMEIRA PEDRA FUNDAMENTAL DA IGREJA MATRIZ DE SANTO ANTONIO DE PÁDUA EM OSASCO”.
Devido o tempo chuvoso que fez às vésperas e no dia programado para os festejos, esses tiveram de ser adiados para outra ocasião, que seria de conhecimento da população, adiantando-se assim, as obras de alargamento e prolongamento da Rua Henrique Dell’Acqua.  Com a permissão da herdeira de Agú a antiga rua vem a denominar-se Avenida Antonio Agù.
Para a realização dos festejos é escolhido o dia 13 de julho, às dez horas da manhã, facultando a participação de todos os habitantes e convidados, uma vez que o evento se realizaria em um domingo.
Para “PATRONO” da solenidade é escolhido Dom Duarte Leopoldo e Silva, “PRESIDENTE HONORÁRIO”, pe. Benedito Pereira dos Santos, vigário da paróquia da Lapa.  “Para Organização dos festejo: “PRESIDENTE” Dr. Victor Ayrosa, ‘VICE” Dr. Esteves da Natividade, “SECRETÁRIO GERAL” Dr. Arthur de Vasconcellos e para as demais comissões, diversos moradores locais.
O engenheiro da planta é o sr. Dr. Ernesto Belwing, responsável pelas obras da Matriz a Consolação..  A futura igreja obedece o estilo romano e terá uma só torre.  As suas dimensões internas são de 30 de comprimento por 12 de largura, com três naves longitudinais e cinco transversais.  Possuirá além do altar-mór, duas capelas centrais, bem como uma sacristia e uma sala de reuniões.   
Comportará, comodamente mil pessoas.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

O jardim da Horticultura

O trabalho em historiografia local, é as vezes um tanto ingrato e decepcionante...
Ficamos horas buscando informações sobre pessoas e fatos, e raramente encontramos algo, o que é uma busca estafante, sem contar que quando é de uma família, que possa fornecer informações, as mesmas se negam, e se escondem no nevoeiro de um passado que possa fornecer informações sobre uma sociedade que não existe mais.... Ou seja, guardam as informações para si mesmas...
Não é uma crítica pessoal e sim a dificuldade que todos os historiadores vivenciam em suas buscas, para tentar compreender o passado.
Atento as tecnologias atuais, que se renovam constantemente, achei em uma página do Facebook,  uma foto interessante, um pequeno garoto, nos idos da década de trinta, não sei exatamente quem  é, mas em segundos reconheci a figura em segundo plano:  duas pilastras em tijolos, velha conhecida minha, que ficavam defronte a atual Rua Antonio Agù.  Era a entrada ou saída do “jardim da horticultura”, conforme consta em um mapa desenhado por Júlio Saltini, em 1899.  As mesmas pilastras também aparecem na Rua Dona Primitiva Vianco, em foto da década de 40.
     Em historiografia, existe sempre um tema central e os transversais, é impossível pesquisar tudo, mas sempre surgem informações que contribuem de alguma forma, ainda que não seja o tema central. ex: Informações obtidas em documentos notariais.
     Em 09/05/1900 os irmãos Giacomo e João Smeriglio adquirem de Antonio Agù dois lotes de terra.
     O 1° lote: com frente para a R. Henrique Dell’ Áqcua (atual R. Antonio Agù), com 6 m de frente, de um lado Com Evaristhe Sensaud de Lavaud com 42 m a direita, e com Cesare Mischi, onde mede 39 m. Fundos também com Sensaud de Lavaud.  Neste local havia uma pequena casa comercial que vendia hortaliças. Existe um registro fotográfico (refiz em desenho, pois só aparece em parte, o resto da descrição é do Sr. Walter Ramos), e a entrevista com o Sr. Walter Ramos, neto de Da. Mariana Q. Fabbri, ele descreve o apelido de Giacomo como “Jacolim”, idem para o também morador João Vicente que o conheceu pessoalmente.  Essa ficava ao lado esquerdo da Vila Cerqueira
     O 2° lote: frente para a mesma rua, com 36 m, lado direito com Ercole Ferrè, com 76 m, segue fazendo um ângulo agudo e segue com 19 m, novo ângulo  até a r. Da. Primitiva Vianco com 54 m.  Confronta-se de uma lado com:  Alesio José (vendido depois á Domingos Spada),  viúva Mariana Q. Fabbri,  Miguel Toschino, José Barbieri e do outro lado com Sensaud de Lavaud onde mede 54 m e ai faz um ângulo onde mede 54 m, fazendo um ângulo agudo com  ? m, daí faz outro ângulo e segue por 49 m., até encontrar a R. Primitiva Vianco, onde faz frente com 49 m. Este era conhecido como o “jardim da horticultura”, segundo mapa de 1899.
     Neste terreno é previsto a abertura de uma rua, que não acabou ocorrendo.
     Na cópia do mapa que reproduzi não aparece a localização da moradia familiar, mas em mapas posteriores, aparece ao lado do terreno de Sensaud de Lavaud.  Mas é possível que a construção tenha mudado de localização...
José Luiz Alves de Olveira
Bacharel em História pela UNIFIEO

Osasco,17 de abril de 2015.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Resumo histórico de Osasco

Resumo histórico sobre Osasco
São mais que merecidas todas as homenagens a Antônio Agú, por­que a elle se deve o que é pre­sentemente o districto de Osasco.
Para se avaliar bem e a popu­lação melhor ajuizar o valor moral e activo desse homem de largas vistas propulsoras do trabalho, bas­ta ler o que a seguir transcrevemos, copia exacta do archivo da Câma­ra Municipal da Cidade de São Paulo, com annos já, de documen­tação e de bastante opportunidade.
"De caminho para Osasco; no kilometro 13 da estrada, se atravessa a propriedade da Continental de Osasco, moderno Mata­douro Frigorífico, com uma matan­ça diária, para exportação, de 700 bois e 3OO porcos.
É um estabelecimento, que riva­liza com os seus congêneres ame­ricanos, nos quaes dos bois e dos porcos só não se aproveitam, por emquanto, os gritos.
Antes de 1890, o local onde está situada a pequena povoação de Osasco, a 16 kilometros desta capital por estrada de ferro, era apenas um inculto e estéril terreno.
A sua posição amena, a proxi­midade da capital, a situação do terreno em geral plano ao longo da estrada Sorocabana, uma das três mais importantes vias férreas de S. Paulo, attrahiram a attenção de Antônio Agú, activo e energico italiano que, possuindo razoável fortuna, quiz transformar esse pe­queno deserto em centro agrícola e industrial.
Em 1890, de volta do interior do Estado, após penosos trabalhos, Antônio Agú, comprou ahi 7.000.000 de metros quadrados de terreno, e, como se chama OSASCO na província de Turim, na Itália, o local do seu nascimento, deu o nome de OSASCO á sua proprie­dade.
Essa propriedade, servida então pela estação da E. F. Sorocabana, chamada simplesmente Kilometro 16, pelo trabalho e esforços de Agú attrahiu as attencões geraes, estendeu o nome a estação e depois a povoação, que ahi se creou, e hoje, ao districto de paz, onde está a povoação.
E houve razão para isso. Antô­nio Agú, nesse 1890, fundou ahi uma fabrica de cerâmica, que diri­giu durante algum tempo, entregan­do-a mais tarde aos industriaes francezes. Senseaud de Lavand e Herman Levy.
Em 1692, de sociedade com Narcizo Sturlini, installou uma fa­brica de papelão utilizando força motora do córrego de Bussucaba.
Interessando a Sociedade Del-lacqua estabeleceu também uma fabrica de tecidos.
Fez plantar 70.00O videiras, 30.000 diversas outras árvores fructiferas, 50.000 eucaliptos globulus, ficando estas plantações sob a direção de Nunziante Picagli.
Em parte, financiou estas emprezas o intelligente banqueiro. J. Bricolla, brasileiro adoptivo, que lá edificou magnífica vivendo, hoje propriedade de Júlio de Andrade e Silva.
J. Bricolla, por sua morte em 1915, que todos deploram, deixou a sua immensa fortuna, calculada em alguns milhares de contos de réis, toda ella feita com trabalho honesto em S. Paulo, á Santa Casa de Misericórdia desta ca­pita.
Osasco está ligada á capital por linha telephonica da Interurbana: tem botequins e vendas.
Seguindo a estrada de rodagem n.° 5 na proximidade do kilometro 19 está a fazenda de Quitauna, pertencenteriam em 1634 ao Mestre de Campo Antonio Raposo Tavares, o mais destemido e o maior dos capitães americanos
Conquistadores do continente sul: levou as armas paulistas, sempre victoriosas, ao Guayra, hoje no Estado do Paraná, e aos Tapes no Rio Grande do Sul, e pelo Paraguay, pelo alto Perú, atravessando o Amazonas, foi parar em Nova Cartagena, na actual Colômbia, “avassalando terra e mar para o seu rei”, como dizia.
Em 1706 essa fazenda de Quitauna pertenceu ao Capitão Pedro de Barros, tronco de muitas das principaes famílias paulistanas. Da passada grandeza, descripta por Pedro Taques e pelo Pe. Manoel Rodrigues, existem pequenas dependências, utilizadas hoje pelo atual proprietário Cândido Mariano de Brito. Por ellas se pôde ver como era a vida rural rústica de S. Paulo no começo do século 19. Lá estão machinas primitivas de fazer farinha de mandioca, de 1828.
No rio Carapicuhyba, dentro da Fazenda do Carapicuhyba, termina o território municipal e com elle a estrada n.° 5. na parte muicipal.
A fazenda Carapicuhyba, em 1842, pertencia ao Barão de Iguape, (Antônio da Silva Prado) e, essa época, soffreu grandes prejuizos com as forças revolucionárias levantadas pelo Brigadeiro Tobias, que se dispersaram no Jaguaré. Por ahi passou a tropa legal sob commando do Duque de Caxias que, nesse anno, em Sorocaba, recebeu a submissão dos rebeldes.
Quando S. Paulo era uma villa insignificante, essa estrada n,° 5 á existia como simples e antigo caminho; em vez, porém, de começar do Araçá, ella tinha principio, na rua de Santo Antonio, act­ual rua Direita, descia a encosta da montanha para o lado do Pi­ques e galgando o campo e as matta, por onde seriam a rua da Consolação e a avenida Rebouças. ia passar na aldêa de Pinheiros, e já era no século 16 o principal caminho do sertão. E' essa a opi­nião de Theodoro Sampaio e delle são as seguintes palavras:
— “Datava de época immemorial esse caminho, o primeiro pro­vavelmente que trilharam as tribos profugas do valle do Paraguay, encaminhando-se para o littoral atlantico. Elle representa na historia do segundo seculo da conquista essa via escelerada, ainda que gloriosa, por onde se consumou a destruição de Guayrá e a expansão do domínio portuguez em detrimen­to do poder de Castella no valle do Paraná".
Extraído do jornal O DISTRICTO 
1919



terça-feira, 12 de maio de 2015

Retornando.

Estarei de volta em breve e com muitas novidades.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Mostrador do relógio doado por Antonio Menck em 12.06.1954

Mostrador do relógio doado por Antonio Menck em 12.06.1954, não existe mais, foto de 1991

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Rua Dona Primitiva Vianco em 1941.  O nome homenageia filha de Antonio Agù, fundador da Vila Osasco, atual cidade.
A foto é para exibir a entronização da cruz, no Grupo escolar de Osasco.  Na època era comun o ensino religioso.
Ao fundo as chaminés da Companhia Cerâmica Industrial de Osasco.
Desta época  as costruções foram todas demolidas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Fotos Comparativas - 01


Três fotos comparativas:
A igreja Matriz de Santo Antonio e o Salão Paroquial - 1964
Costrução da Nova Matriz e o Salão Paroquial - 1969
Atual Catedral - 1995

Oportunamente mais informações e o blog ficará mais atualizado.
José Luiz Alves de Olivera

Novamente a Rua Antonio Agù.

A Rua Antonio Agù, esquina com  a Estrada de Itú - 1961 Foto Klaws Werner
A rua originariamente chamava-se  Da Fábrica, conforme apareçe nas escrituras públicas para os primeiros imigrantes, mas em dois mapas 1898 observa-se com a denominação de Henrique Del'Aqua, proprietário da fábrica de tecidos, posteriormente Cotonifício Beltramo .
Não possuía o comprimento atual, indo até a Rua Ferré ( hoje Rua República do Líbano), somente se
extendeu para o lançamento da pedra fundamental da construção da Igreja Matriz em 1919, e com o
nome de Av. Antonio Agù, com a autorizacção de sua neta Sra. Giusephina Vianco, que veio para o Brasil, para os solenes festejos e concretizar as doações de terreno para igreja, cemitério e mercado.
Voltaria alguns anos depois para autorizar o loteamento das terras de Agú, isso em 1924 e 1925.
Atualmente é uma das principais ruas da cidade.
Oportunamente traremos novas informações.
José Luiz Alves de Oliveira.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Primeira audição oficial da Corporação Musical Santo Antonio de Osasco - março de 1954 Aos fundos a Estação Osasco.
Igreja Matriz de Osasco, construída em 1919, reformada em 1941 e demolida em 1964 - foto de 1950

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Praça Duque de Caxias

Praça Duque de Caxias


Uma das primeiras realizações para as comemorações do primeiro aniversário de emancipação política de Osasco foi a de ornar a nova cidade com uma bela praça.

O local escolhido foi justamente trecho da R. Antonio Agù, próximo à igreja matriz de Santo Antônio.

Tradição interessante, pois quem viajar pelo interior de São Paulo encontrará sempre uma bela praça em frente à igreja matriz.

A praça em questão, abrigava as concorridas quermesses promovidas pela igreja, fora isso era um descampado, que teve o primeiro tratamento pela prefeitura de São Paulo em 1953, mas nunca foi totalmente urbanizada e entregue a população de Osasco.

Era costume que a procisão de Santo Antônio percorresse toda a extensão da Rua Antônio Agú, e segundo moradores mais antigos, era um ato de devoção bastante apreciado. A última procissão que passou pela rua, deu-se em 1962.

Em 19 de fevereiro de 1963 foi inaugurada, e era um dos cartões postais de Osasco. Nela a rapaziada fazia o tradicional "footing" após as missas matinais. Nos anos 70 abrigou feiras artesanais e apresentações teatrais,

A nova praça Duque de Caxias foi reinaugurada no dia 13 de junho de 2.000, levando no antigo local do busto do importante patrono do Exército brasileiro a imagem do padroeiro loca Santo Antonio, homenageando a passagem de suas relíquias pela cidade de Osasco em 1999, e após 38 anos a procissão do padroeiro realizou o antigo trajeto

José Luiz Alves de Oliveira é autor do livro Tempo, História e Nanquim

arquivo particular José luiz



Aos fundo a antiga igreja Matriz de Santo Antonio, já demolida.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Projeto Memória


Esse livreto não deixa de ser interessante, pois é um resgate sobre a Emancipação de Osasco.  Possui depoimentos curtos de algumas pessoas que participaram.  Vale pela iniciativa, mas poderia ter sido mais trabalhado..  O ano em que foi produzido não aparece em nenhuma página... E a capa não deixa de ser bizarra.